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31/05/2017

Jorge Villa “Apaixonado nos debates e maduro nas decisões”

 

Carismático, amigável e ao mesmo tempo muito ativo na defesa dos interesses comuns dos diversos grupos da Internet na região, especialmente dos povos do Caribe. Esses atributos definem a Jorge Villa (Cuba), quem desempenhou vários papeis destacados durante estes 15 anos de vida de LACNIC.

Desde esse lugar, destaca o papel da comunidade de LACNIC que tem permitido quebrar o “papel de colonizados” e “considerar estratégias próprias” garantindo a administração adequada dos recursos de numeração designados à América Latina e ao Caribe.

Quando começou a sua relação com LACNIC e como?

Eu sei de LACNIC desde que era uma ideia, que, aliás, teve um grande impulso a partir de uma reunião realizada aqui em Havana (1997 ou 1998), onde participaram os líderes de várias das principais redes acadêmicas da região, que dividiam espaço em um fórum intitulado Enredo.

Em 1998, no Rio de Janeiro, durante o primeiro Workshop de Redes para América Latina e o Caribe (WALC) conheci Raúl Echeberría e Juan Carlos Alonso (duas peças chave no surgimento e desenvolvimento de LACNIC). Eu os vi de novo nas edições dessas oficinas na Cidade de México (2000) e Santo Domingo (2002), e de alguma forma sempre mantivemos o contato, tanto diretamente quanto através de amigos em comum. Por eles, e também por alguns colegas cubanos (fundamentalmente por Jesús Martínez, quem foi dos primeiros diretores de LACNIC), conheci melhor o que estava sendo gestado.

Quando realizaram a convocação para LACNIC V aqui em Havana (em outubro de 2003) fui um dos primeiros em me inscrever. Naquela época, eu já entendia (melhor do que muitos colegas) a transcendência da organização que tinha sido criada, e no pessoal, para mim foi uma sorte de continuidade e crescimento dentro de todo o trabalho que estava sendo feito em Cuba. Nessa reunião voltei a encontrar alguns velhos amigos, fiz muitos outros e simplesmente, senti que também fazia parte dessa comunidade da América Latina e o Caribe. E assim, a relação tem continuado (cada vez melhor) ao longo de todos esses anos.

Que papéis você exerceu na comunidade de LACNIC? Satisfez as suas expectativas? Que aspectos você destacaria? 

Meu trabalho na comunidade LACNIC pode ser concretizado em quatro posições: Membro do Comitê de Programa do Fórum da América Latina e o Caribe do IPv6 (FLIP6), Representante da região no NRO Number Council/ ASO ADDRESS COUNCIL, Membro do Comitê de Programa do Fórum de Operadores de Redes da América Latina e o Caribe (LACNOG) e Coordenador do programa de bolsas para os membros da comunidade.

Em primeiro lugar, agradeço à comunidade por ter confiado em mim para executar essas funções, e espero não tê-la desapontado. Em cada uma destas atividades, eu sempre tento dar o máximo, sempre com o espírito de aprender, de colaborar, de contribuir.

Claro que todos esses papeis são diferentes, e cada um exige uma grande responsabilidade. Em cada espaço, cada um vai colocando a sua parte para que a comunidade continue crescendo.

Por sobre tudo, eu salientaria o fato de contar com pessoas muito valiosas que me ajudaram e apoiaram em cada um desses papeis, tanto da equipe de LACNIC quanto da comunidade. Por meu jeito de ser, eu adoro conversar com as pessoas, fazer amigos; e por isso eu gosto que as pessoas me vejam como mais um da comunidade, e que se sintam confiantes para me abordar, discutir, pedir ajuda ou talvez, um conselho profissional ou pessoal.

Algumas das satisfações que coleto destas experiências incluem a contribuição para a consolidação do FLIP6, o fortalecimento e crescimento de LACNOG, a estruturação e consolidação do programa de bolsistas procedentes da comunidade de LACNIC; bem como o sucesso obtido ao finalizar o processo de transição da supervisão das funções da IANA (hoje PTI) para a comunidade global da Internet.

Que papel acredita que a comunidade de LACNIC teve na administração dos recursos de numeração nesses 15 anos?

Eu acho que tem sido um papel fundamental, sem o qual acredito que a região estaria em desvantagem para poder considerar as suas próprias estratégias de desenvolvimento.

Por motivos históricos, quem nascemos, crescemos e vivemos no chamado terceiro mundo, muitas vezes não conseguimos quebrar esse papel de colonizados que herdamos da história. Mas a nossa região teve, tem e cada vez terá mais potencial para se desenvolver e conseguir que o mundo desenvolvido nos veja como iguais.

Neste sentido, a comunidade de LACNIC foi fundamental porque garantiu uma administração correta dos recursos de numeração designados à região (ao longo de 15 anos) criando verdadeiras relações de confiança. Assim, possibilitou que muitas organizações da região cresceram e implementaram melhor suas redes e serviços; enquanto que outras entenderam verdadeiramente a importância de contar com estes recursos para poder projetar um futuro melhor para os nossos países. Graças a esta comunidade (na que muitos dos atores da região estamos envolvidos), temos uma voz em todos os fóruns, ao mesmo nível que todas as outras áreas, independentemente do nível de desenvolvimento.

Definitivamente, a comunidade de LACNIC é a pedra angular para o presente e o futuro da região; onde o uso das chamadas novas tecnologias da informação e comunicação, se impõe cada vez mais como uma força transformadora.

Que aspectos identificam à comunidade de LACNIC?

Esta é uma comunidade multinacional, multirracial, multiétnica, e isso faz com que seja muito forte. Todos nós aprendemos de todos. Estamos tentando viver como uma verdadeira família, em que prime o respeito, a solidariedade, a luta contra qualquer forma de discriminação, em que seja promovida a transparência e a existência de verdadeiras relações de confiança. Da mesma forma que acontece dentro de uma família, não estamos isentos de conflitos entre alguns de seus membros, já que o sangue latino é quente, somos apaixonados nos debates e radicais em muitas opiniões; mas felizmente, em geral, conseguimos tirar os aspectos positivos destas situações para continuar progredindo; e isso é um sinal claro de maturidade.

Esta é uma comunidade comprometida com seus objetivos, com sua gente, sempre com ideias, com vontade de fazer e participar, que se envolve em todas as questões que possam beneficiar à região, e esse é o seu âmbito de aplicação.

Algo fundamental, é que é uma comunidade que defende a sério o respeito pela mulher e promove a sua participação de forma igualitária.

É uma comunidade que trabalhou e trabalha por incorporar a todos, por tentar de vencer as barreiras idiomáticas que ainda limitam (em alguns casos) a comunicação e a participação. Nesse sentido acho importante salientar o trabalho realizado com a comunidade do Caribe.

Como imagina você a governança da Internet em 15 anos?

Imaginar o mundo dentro de 15 anos é um exercício interessante, já que tudo muda em alta velocidade. Então, o que eu visualizo é que, nesse tempo, a governança da Internet será muito mais refinada e muito mais sólida do que hoje, certamente haverá novos atores, muitos jovens envolvidos e, especialmente, um grande número de pessoas da nossa região participando e contribuindo.