Avança o desenvolvimento de Cidades Inteligentes na América Latina. Casos de sucesso na região.

29/07/2015

Por Andrés Sastre

A América Latina não é alheia ao avanço da aplicação das TIC na vida quotidiana de suas cidades. Construir cidades inteligentes que melhorem a vida de seus cidadãos é um desafio que hoje enfrentam centos de cidades de nossa região, uma oportunidade única que temos a obrigação de não deixar passar. AHCIET há mais de quinze anos foi pioneira em compreender que o desafio de melhorar a vida nas cidades estava relacionado com a aplicação das novas tecnologias no trabalho diário. Assim foi que surgiu o Encontro Ibero-americano de Cidades Digitais, que vai por sua decimo sexta edição e que tenta reunir governos, locais, academia e empresas para compartilhar experiências e aprender juntos no desejo de criar cidades limpas, mais eficientes, sustentáveis onde as pessoas se sentam mais integradas e participem de forma mais ativa no dia-a-dia. O conceito de Smart City afeta todos os aspectos do desenvolvimento de uma cidade, e a participação cidadã é um eixo fundamental.

Com o objetivo de replicar experiências que começaram a ser realizadas na América Latina e para que fiquem impregnadas do conceito Smart, a AHCIET outorga os Prêmios Cidades Digitais que tratam de reconhecer os esforços que realizam várias cidades da região, com o objetivo de multiplica-los ao longo da América Latina toda.

Passados mais de 10 anos da primeira edição podemos observar com alegria um maior nível de dificuldade pelo volume de experiências que estão sendo desenvolvidas, e embora ainda falte bastante, já não temos que ficar estudando experiências realizadas em outros continentes para marcar a agenda da América Latina. São muitos os exemplos das diferentes iniciativas e modelos a seguir. Salientamos três que nos resultam de grande relevância.

O primeiro é o caso da cidade argentina de Mercedes. Em 2009 Mercedes cria a Subsecretaria de Estado, de Reforma e Modernização e toma como exemplo o caso da primeira Smart City argentina, a vila de Marcos Paz. Na atualidade, Mercedes é uma das cidades mais digitalizadas da América Latina, abrangendo todos os pilares estratégicos que deve abordar uma cidade inteligente, desde o pilar governativo à saúde, educação, segurança, comunicação e meio ambiente, fixando objetivos claros para melhorar os serviços municipais e a inovação nas TIC. Seu projeto estrela é a criação de um “Sistema universal compartilhado do historial clínico digital”, através do qual as ambulâncias são equipadas com notebooks para que o pessoal possa consultar o registro médico dos pacientes e alertar de forma automática via SMS ao hospital e à família. Por sua vez, as ambulâncias estão conectadas com o hospital via videoconferência permitindo ao hospital conhecer com antecedência o atendimento específico que o paciente requer.

Se falarmos de participação cidadã e empoderamento, são muitos os exemplos de avanços na região, concretamente queremos salientar um, o do rio de Janeiro onde foi criado um Conselho da Cidade, com 150 profissionais entre líderes sociais e empresariais que contribuíram com o plano estratégico em parceria com Intel e Cisco a fim de construir uma cidade sustentável, integrada, digital, inteligente e criativa. Seu projeto de destaque é a “Praça do conhecimento”, que trata de espaços comunitários para compartilhar, edificar e aprender e criar conteúdos digitais. A população pode ter acesso através de banda larga ultrarrápida e conhecer em vários casos as vantagens do uso da Internet pela primeira vez. A importância dessa iniciativa reside na abordagem multistakeholder com que foi projetada, reunindo o compromisso de uma multiplicidade de órgãos para conseguir uma melhoria na integração dos cidadãos, com uma relevante orientação à criação de conteúdos digitais.

Por último como exemplo de colaboração público-privada para a promoção de desenvolvimentos inteligentes queremos salientar o de “Medellín Digital” um projeto da Prefeitura de Medellín e da empresa das telecomunicações “Une-EPM”, que trata de ir além da provisão de infraestrutura, abrindo-se para áreas como o governo aberto, a participação do cidadão, a inovação social e a sustentabilidade.

Seu projeto de destaque é o “Ruta N” uma corporação criada para promover o desenvolvimento de empresas inovadoras com base tecnológica que aumentem a competitividade da cidade. A iniciativa tenta combinar liderança pública com privada dedicada à orientação cidadã, com mecanismos de avaliação e acompanhamento ao longo prazo que façam sustentável o projeto.

Em definitiva nos encontramos com projetos que para serem bem-sucedidos souberam combinar liderança e visão política, institucionalidade, inclusão digital, coordenação público-privada, integração da sociedade civil e inovação e investimento em infraestrutura de telecomunicações. É esta combinação de fatores que, em nossa opinião, tem que marcar os avanços em cidades inteligentes na América Latina; estamos no caminho certo, mas ainda devemos continuar avançando, um desafio que, como mencionado no início, não podemos perder.

*O autor é Assessor de Estudos da Associação Ibero-americana de Centros de Pesquisa e Empresas das Telecomunicações

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