LACNIC

IPv6

O crescimento do IPv6 e as perspectivas para 2020

30/01/2020

Por Alejandro Acosta, Coordenador de I+D do LACNIC

Existe um refrão que estou certo que todo mundo conhece: “o homem é um animal de costume”. Por sexto ano consecutivo estamos entregando uma retrospectiva sobre o IPv6 na região.

E por ser o sexto ano e em comemoração ao IPv6, faremos cobertura dos TOP 6 países da nossa região com sua respectiva porcentagem de penetração do IPv6 em usuário final.

  1. Uruguai 38.27%
  2. Guiana Francesa 35.61%
  3. México 31.96%
  4. Brasil 28.69%
  5. Trinidade e Tobago 20.26%
  6. Peru 18.53%

Caso a caso

O Uruguai, segundo menor país da América do Sul (depois do Suriname), está muito presente quando se trata de penetração do IPv6 e de velocidade da Internet. É líder em ambos os ramos em nossa região: quase 40 de cada 100 uruguaios já contam com IPv6, e a velocidade média de descida no móvel é em torno dos 20 Mbps.

A Guiana Francesa é a casa de “Le Centre Spatial Guyanais” (conhecido como a Guiana Space Centre), centro que muitos países europeus utilizam para seus lançamentos. Algo semelhante foi feito com o IPv6, colocaram-lhe um foguete! Os gráficos indicam que a implantação começou a princípios do mês de abril de 2019, e em duas semanas já havia 20% de IPv6, em cinco semanas cerca de 35.61%, e, enquanto estamos escrevendo estas linhas, continua crescendo.

O México é conhecido por muitas coisas, mas dentre outras por sua comemoração do Dia de Finados. No entanto, estão dizendo para o mundo que, quando o assunto é IPv6 estão muito vivos. Começaram 2019 com 24% de penetração deste protocolo e no transcorrer do ano, tiveram um crescimento superior a 30%.

O Brasil, em homenagem a seu slogan (motto) “Ordem e Progresso” (order and progress) fez precisamente a mesma coisa com o IPv6. Durante o ano passado o Brasil aumentou em 10% sua penetração do IPv6, alcançando a 30.22%. Nada mal para o maior país da região e quinto no mundo.

Trinidade e Tobago, berço do instrumento musical “Steel Pan” (tambores metálicos), digno representante caribenho na implantação do Ipv6, implanta o protocolo com bom ritmo para não ficar para trás. TT posiciona-se no quinto lugar na região, oferecendo IPv6 a um de cada cinco habitantes. Creio que querem correr à velocidade de Hasely Crawford (o Usain Bolt Trinitário em 1976).

No Peru a implantação do IPv6 é quase tão alta como o seu famoso lago Titicaca, o mais alto do mundo. Há vários anos que é ícone da implantação deste protocolo na região, e ficamos muito contentes por continuar vendo-os como líderes neste ramo.  Já conta com um pouco mais de 18% de penetração do IPv6.

Um número interessante. Hoje em dia estamos publicando uma média aritmética ponderada em base à população dos países, à população do LAC e ao grau de penetração do IPv6 em cada país, isto nos leva a um valor mais real de usuários de Internet com o IPv6 em nossa região.

A penetração do IPv6 no usuário final na América Latina está em 19.50%, um número nada mal, porém ainda por debaixo da média mundial (29%).

Alguma notícia ruim?  Em 2017 quase 34% dos sites com IPv6 apontavam a endereçamentos designados pelo LACNIC. Para dezembro de 2018 a cifra reduziu para 19%. Interessantemente, em 2019 a região voltou a 33.2% de sites web no LAC que apontam a endereços IP designados pelos LACNIC.

Boa previsão. Fazer previsões sempre foi algo muito complicado. Por sermos pessoas da ciência preferimos nos basear mais em fatos reais, em números. Porém, ser certeiro com o IPv6, até certo ponto, não é tão difícil: o IPv6 continuará crescendo, a implantação aumentará em nossa região. Um fato que acredito que esteja acontecendo, é que os clientes já ficam atentos para saber se o ISP suporta IPv6, e, caso não suporte, procuram outro ISSO e pronto.