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24/09/2015

Um plano para garantir a segurança e estabilidade da Internet na região

A Internet tem cada vez mais incidência na vida do dia-a-dia das pessoas e na economia dos países. A rede tem se transformado em uma ferramenta fundamental e é impossível imaginar o mundo sem conectividade. Por isso torna-se cada vez mais essencial garantir o bom funcionamento da Internet e impedir que as comunicações fiquem expostas a ataques ou violações da privacidade.

LACNIC criou um programa de segurança e estabilidade da Internet e desde 2012 leva adiante ações para tentar garantir a segurança em diferentes âmbitos da Internet na América Latina e o Caribe.

Guillermo Cicileo, responsável pelo Programa de Segurança e Estabilidade da Internet de LACNIC, salienta que essas ações são coordenadas com outros registros regionais e apontam a garantir a infraestrutura crítica da Internet.

Em diálogo com LACNIC News, Cicileo detalhou as principais ameaças à estabilidade da Internet na região que apresentará durante a reunião de Bogotá LACNIC 24- LACNOG 2015.

O que é o Programa de Segurança e Estabilidade da Internet de LACNIC?

O programa de Segurança e Estabilidade de LACNIC visa contribuir para uma Internet mais segura e estável na região e no mundo.

Como parte desse programa, são desenvolvidas ações específicas a fim de garantir as infraestruturas críticas da Internet e dar maior estabilidade e resiliência para a operação delas.

Essas ações são coordenadas com as outras regiões -fundamentalmente com os outros registros regionais da Internet, mas também com outras organizações- a fim de levar adiante uma estratégia unificada a nível mundial.

Desde quando funciona e quais são as principais linhas de ação do programa?

O programa funciona desde 2012 e entre suas linhas principais de ação tem como eixo a coordenação de incidentes de segurança através da criação de CSIRT na região; a promoção da segurança no roteamento (RPKI) e DNS (DNSSEC); programas de apoio aos IXP; o impulso do programa +RAÍZES (instalação de servidores cópia na região); a incorporação do protocolo IPv6 perante o esgotamento do IPv4 e a capacitação de recursos  humanos através de oficinas sobre o BGP, segurança, RPKI, IPv6 e outros assuntos.

Por que é necessário desenvolver um programa de segurança e estabilidade na região?

Hoje, a Internet é uma ferramenta fundamental para o trabalho e a comunicação diária das pessoas. Como tal, é necessário garantir seu bom funcionamento e, portanto, evitar que as comunicações fiquem expostas a ataques ou à violação da privacidade. Nesse sentido, as ações para promover a segurança em várias áreas da Internet global necessitam ser replicadas em nossa região (RPKI, DNSSEC, CSIRT, entre outras). Do outro lado, a estabilidade da rede é uma característica cada vez mais necessária, pelo que existe um conjunto de iniciativas para melhorar as interconexões entre as redes e ter uma Internet em que os recursos críticos estejam mais distribuídos e não dependam de apenas uma organização.

Quais são as principais ameaças à estabilidade da Internet na América Latina e o Caribe?

A região precisa melhorar a conectividade interna nos seus países e ter maior redundância nos enlaces de tráfego da Internet. Mesmo que o número de carriers que chega com fibra aos diferentes países tenha aumentado nos últimos anos, isso nem sempre é replicado para dentro, existindo casos em que os usuários de diferentes ISP somente estão interconectados através do exterior. Esta é uma situação que provoca inconvenientes para o desenvolvimento da Internet e para o crescimento do conteúdo local.

Outro problema que irá impactar sobre a estabilidade da Internet na região é a baixa adoção do protocolo IPv6. Isso pode levar a uma Internet dividida, não permitindo a comunicação com algumas regiões ou países pela incompatibilidade entre os protocolos ou uma comunicação degradada. Por isso consideramos fundamental trabalhar na adoção do IPv6 por parte das organizações da região.

Também existem cada vez mais ataques contra o sistema de roteamento na Internet chamados “sequestros de rotas”, nas que alguém não autorizado usa os recursos IP de outra organização. Isso pode levar a desvios de tráfego com vários danos para as organizações afetadas.  Por esta razão, trabalhamos duro na adoção de mecanismos de segurança no sistema de roteamento da Internet e na formação de engenheiros que operam as redes a fim de adotar as melhores práticas no assunto.

Que recomendações você daria às organizações da região para que contribuam com uma Internet mais estável e segura?

Basicamente que fiquem atualizadas sobre as tecnologias atuais e que se beneficiem da troca de experiências com organizações similares. LACNIC conjuntamente com outras organizações que coincidem em alguns desses objetivos tenta promover espaços para compartilhar essas experiências e incorporar tecnologias como RPKI, DNSSEC, IPv6, etc.

Que papel pode ter a implementação do IPV6 na segurança da Internet?

A incorporação do IPv6 soluciona fundamentalmente a questão do crescimento da Internet na região. Hoje em dia não se concebe uma Internet com o grau de crescimento atual que possa sobreviver em IPv4. O número de pessoas conectadas à rede cresce dia a dia, mas ainda é maior o crescimento de dispositivos que precisam Internet, desde telefones celulares até aparelhos nos lares.  A chamada Internet das Coisas está avançando cada vez mais e necessitaremos milhões de endereços para lidar com esse crescimento. Por todos esses motivos é que consideramos fundamental a implementação do IPv6 na região.

Por sua vez, o IPv6 tem algumas vantagens que irão melhorar a conectividade dos usuários finais, por não ter que passar por diferentes graus de NAT.