Estudo sobre tempo de resposta à nuvem anycast do LACTLD

31/08/2021

Os países do Cone Sul possuem o melhor tempo de resposta da América Latina e Caribe para as consultas dos servidores de nomes que fazem parte da nuvem anycast do LACTLD, segundo uma pesquisa realizada pelo LACNIC no contexto dos estudos de segurança, estabilidade e resiliência da Internet.

Os dados preliminares do trabalho – que reúne as consultas dos primeiros três meses de informação – definem a maioria do tempo de resposta da Argentina, do Brasil, do Chile, do Uruguai e do Paraguai como inferior a 50 milissegundos, um valor considerado bom a nível global. A nuvem anycast do LACTLD é uma rede colaborativa que conta atualmente com 14 nodos e busca fortalecer a infraestrutura e a estabilidade do DNS na América e Caribe. Esta medição é realizada, processando informação disponível publicamente com a utilização das sondas dos projetos RIPE Atlas para medir o tempo de acesso aos servidores mencionados.

 “Focamos na nuvem anycast do LACTLD porque muitos dos domínios da região estão replicados nela, muitos ccTLDs estão usando os servidores de LACTLD para hospedar as cópias de suas regiões de domínio de país. Por sua vez o LACNIC também hospeda nesta infraestrutura cópias secundárias de várias de suas regiões”, afirmou Guillermo Cicileo, líder de pesquisa e desenvolvimento em infraestrutura da Internet do LACNIC. O especialista estimou que em um ano de dados será possível ver gráficos mais estáveis.

O especialista chileno Hugo Salgado, pesquisador de DNS e membro da equipe administradora deste projeto do LACTLD, explicou que anycast é uma tecnologia de endereçamento que permite fazer um ótimo e eficiente uso das redes.

Referente à nuvem de LACTLD e às medições, foram verificadas as respostas das consultas feitas a essa “base de dados” desde diferentes países.

 “Ao consultarmos pelos domínios que aparecem na nuvem, focamos em como era o tempo de acesso de cada país a essa nuvem do LACTLD, e o tempo em que a resposta demora para transitar pelas redes do país até o nodo mais próximo, acrescentou Salgado.”

Os dados.  De acordo com as medições, as redes dos países da região da América do Sul mostraram em média melhores níveis de resposta que os outros países do continente.

Fora do Cone Sul – admitiu Salgado – estão todos por cima dos 50 milissegundos. Esses países poderiam otimizar seu tempo de resposta.

Salgado sinalizou que perante cada consulta, os sistemas de roteamento escolhem qual de todos os nodos disponíveis é o mais “próximo” ao ponto de origem de cada consulta para dirigi-la a esse ponto da nuvem anycast, agilizando assim as respostas.

Em relação ao tempo médio, o mapa da região mostra onde estão as fortalezas e as debilidades para ajudar a programar melhor as próximas conexões. “(Os dados) são muito valiosos para auxiliar no enfoque do projeto, especialmente com os países que não possuem um tempo de resposta bom”, afirmou Salgado.

A informação coletada serve para programar onde instalar os próximos nodos da nuvem e resolver problemas de conectividade interna, caso não seja possível alcançar o nodo.  “O estudo está contribuindo com muita informação para quem lida com os nodos dos países”, afirmou o pesquisador chileno.

Os países com resultados mais baixos deveriam hospedar uma cópia de um nodo da nuvem do LACTLD dentro de seu território. Por sua vez, os que já o possuem, poderão aprimorar seu roteamento e sua forma de conectar o nodo.

Cicileo, por outro lado, assegurou que uma boa Internet se vê favorecida se os domínios de cada país puderem ser consultados em um tempo razoável, para o qual a nuvem do LACTLD é um projeto que fornece uma melhor distribuição geográfica dos servidores de nomes dos países que hospedam nela suas regiões. Este estudo permite analisar esse tempo desde diferentes pontos de medição de cada país.

O estudo informa de maneira contínua, portanto por cada nodo conectado será possível analisar o antes e o depois.