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Mitos e verdades sobre a Internet em tempos de COVID

28/05/2020

Durante a emergência sanitária por conta da pandemia pelo coronavírus, o crescimento do tráfego da Internet na América Latina oscilou em torno a 24% e 35%; o sistema suportou a demanda devido às previsões já realizadas pelos provedores de acesso e os IXPs regionais (infraestrutura física onde as operadoras de serviços de Internet fazem troca de tráfego), eles perceberam que o maior crescimento ocorreu por causa do learning (educação), do vídeo on demand, o gaming (jogo online) e das transações eletrônicas de dinheiro.

Contudo, as horas de pico de consumo foram depois das 19 em todos os países, embora o tráfego da Internet tenha aumento no período ocioso da rede, durante o dia.  Nesse sentido a pandemia fez com que convivessem ao mesmo tempo diferentes hábitos de consumo de informação e de dados (vídeo on demand e comunicação de áudio e vídeo em tempo real).  A rede suportou ambas as demandas, apontaram os especialistas.

Estas são algumas das conclusões às quais um grupo de profissionais de Internet chegou durante o painel “Mitos e Verdades sobre a Internet em tempos de COVID-19 na América Latina”

As experiências recolhidas pela comunidade técnica, comentadas no seminário, evidenciam que a região demonstrou um comportamento estável neste período de emergência sanitária onde a Internet foi a maior protagonista. Ariel Weher -chair de LACNOG- moderou o painel integrado por Israel Rosas (ISOC), Carlos Martinez (LACNIC), Hugo Salgado (DNS), Gabriel Adonaylo (LAC-IX), Nicolas Antonello (ICANN), Carmen Denis (LACNOG), e Lia Solis (LACNOG).

10 mitos.  Uma série de 10 mitos buscou resposta na análise dos especialistas. O primeiro destes mitos, “A Internet está congestionada”, foi rapidamente refutado. Antoniello, da ICANN, apontou que o tráfego não está congestionado porque todos os atores da Internet já tinham previsto que haveria um aumento na magnitude durante a pandemia.  “Não houve aumento que ultrapassasse as previsões”, disse Antoniello. Acrescentou ainda que os sistemas de nomes de domínios estão preparados para este tipo de circunstâncias.

Solís, por sua vez, destacou que as operadoras tiveram boas políticas de previsões de crescimento de tráfego.

Para Martínez, não houve um aumento na demanda de tráfego, o que ocorreu foi um deslocamento dentro da rede. “Deslocou-se das redes empresariais para as redes residenciais. Qualquer provedor consegue lidar muito bem com um crescimento de 30%”, comentou.

O segundo mito, “O aumento do tráfego da Internet está afetando os IXP”, achou uma resposta na exposição de Adonaylo. O representante dos IXP salientou a estabilidade dos pontos de troca de tráfego da região, com um comportamento muito parecido ao da Europa. “Os serviços estão respondendo com home office e home schooling. Vimos um aumento em torno a 30% e 35% entre os IXPs, além de iniciativas muito interessantes como consequência da pandemia, que gerou uma estabilidade muito boa para a saúde da Internet nos países da região”, afirmou Adonaylo.

Em relação ao terceiro mito, “O aumento do tráfego na Internet está atingindo os provedores da última milha”, Antoniello disse que isso só pode acontecer caso não haja, por parte do provedor, uma previsão de crescimento dentro da largura da banda na conexão final. Martínez resumiu que pode chegar a haver uma percepção sobre a afetação da última milha que na realidade tem relação com o aparelho de wi fi das casas. “Isso só poderá ocorrer se não tratarmos com cuidado o nosso wi fi, mas dentro de casa e não na conexão final”, disse o CTO do LACNIC.

Sobre o quarto mito, “O aumento do tráfego na Internet está afetando os provedores do backbone”, Martínez sinalizou que o backbone é um lugar onde convergem todas as demandas de tráfego dos usuários. “Há um movimento de tráfego dentro das redes, mas nada inimaginável ou imprevisível, todos os provedores sabem que a cada ano as suas demandas vão aumentar mais de 30%, o que fizeram foi adiantar suas perspectivas de 12 a 18 meses”, afirmou o representante do LACNIC no painel.

Em relação ao mito 5, “O serviço falha porque os empregados não conseguem resolver problemas por conta da pandemia”, Rosas falou que as falhas reportadas durante a emergência sanitária não geraram nenhum problema novo e estão dentro das habituais. Destacou, inclusive, que em algumas redes há menos problemas. “Não há registros de falhas que desbordem a capacidade de resposta das operadoras”, sinalizou Rosas.

Queremos convidá-los a assistirem ao vídeo para fazer uma revisão sobre o assunto principal da palestra e ouvir os comentários dos palestrantes sobre os mitos 6 (“É melhor usar linhas fixas para chamadas de voz”), 7 (“É melhor utilizar SMS em vez de WhatsApp para mensagens instantâneas”), 8 (“As limitações na qualidade do vídeo que foram impostas à Netflix e a outros provedores de vídeo on demand ajudou aos provedores), 9 (“Os serviços de streaming de áudio e vídeo on demand têm o mesmo impacto nas redes que os servidores de comunicação de áudio e vídeo em tempo real”) e 10 (os provedores de serviço de Internet podem absolver os custos e não cobrar o serviço durante a pandemia”)

Assista ao vídeo na íntegra aqui.