LACNIC 10 ANOS: entrevista a Patrik Fältström

23/11/2012


“Os modelos de negócios tem avançado mais rápido que os protocolos”

Em diálogo com o Boletim do Lacnic durante sua visita a Montevidéu, Patrik Fältström,presidente do Security and Stability Advisory Committee (SSAC) de ICANN, repassou o panorama europeu em relação com a conectividade em meados da década de 1980 e lembrou a resistência inicial ao protocolo IP

Por Pablo Izmirlian.

Suécia, meados da década de 1980. Patrik Fältström dividia seu tempo entre a Real Armada e o Real Instituto de Tecnologia. Nessa época percebeu que para ele eram mais interessantes os computadores que a matemática e começou a trabalhar no desenvolvimento da Internet nesse país nórdico. Atualmente, Fältström é presidente do Security and Stability Advisory Committee (SSAC) da ICANN e chefe de Pesquisa e Desenvolvimento em Netnod, uma organização independente e sem fins de lucro que administra pontos neutros (Internet Exchange Points).  Depois da sua apresentação no Lacnic 10 anos, titulada os desafios das atividades não desejadas na Internet, falou sobre aqueles primeiros passos da rede na Suécia e o panorama europeu relacionado com a conectividade quando a rede começava a se estabelecer naquele continente.

É verdade que os países nórdicos figuram entre os primeiros a adotarem a Internet?

Sim, é correto. Naqueles dias, na Europa tínhamos redes na Itália, nos países nórdicos, uma rede na Áustria e nos Países Baixos, numa universidade da França e nada mais. Isto se devia em parte ao fato de não ter acontecido uma desregulamentação, então só tínhamos às companhias incumbidas e não existia nenhum órgão regulador independente do governo ou do incumbido. Então, em muitos casos, por exemplo, na Alemanha, a gente não podia utilizar outro protocolo que não fosse o da empresa das telecomunicações, o que significava que na Alemanha a gente não podia ter o protocolo IP, de jeito nenhum. É só um exemplo. Enquanto isto, nos países nórdicos nós podíamos fazer o que gostássemos. Tivemos bastante sorte, porque podíamos ter a transmissão que necessitávamos e colocar o protocolo IP em cima disso.

Existia algum tipo de competência com o que era o desenvolvimento da Internet nos Estados Unidos? Sentiam que na Europa estavam ficando atrasados?

Não, de jeito nenhum. Claro que as redes IP funcionais nos Estados Unidos começaram antes que na Europa, mas nós tínhamos IP comercial antes que os Estados Unidos, porque lá as pessoas deviam à  National Science Foundation, que estava financiando a rede originalmente, e uma das suas cláusulas dizia que para se conectar à NSFNet, o usuário não podia ter tráfego comercial. Na nossa rede, nos países nórdicos, não existia esse tipo de cláusulas porque tinha sido o conselho de ministros nórdico que tinha tomado a decisão de que a rede seria agnóstica quanto a protocolos. Então utilizávamos X.25, IP… IP era só um dos protocolos, mas não existiam cláusulas que dissessem que as companhias comerciais não o podiam utilizar. Então quando nos conectamos à NSFNet, no outono [boreal] de 1989, acabamos tendo um problema porque nós podíamos ter tráfego comercial mas não para os Estados Unidos. Assim, no mês de março de 1991, começou a operar o primeiro provedor de serviços da Internet [ISP] na Suécia, para ocupar-se do tráfego IP comercial.

Lembra qual foi esse primeiro ISP?

Era Tele2, ou o que se chama SWIPNet, Swedish IP Network. Esse provedor se criou depois de que algumas pessoas negociaram durante quase nove meses com o incumbido para convencê-lo de utilizar IP, mas o incumbido não queria. Finalmente, no outono [boreal] de 1990, rendemo-nos, falamos com a concorrência, que nesse momento começava a oferecer serviços de telefonia celular, e lhes perguntamos “que vocês opinam de utilizar IP?” O concorrente disse “vai amolar o incumbido?”, e respondemos “claro que sim”, [e eles disseram] “então vamos” [risos].

Por que havia tanta resistência a utilizar IP?

Porque existia um acordo entre os governos do mundo que estabelecia que IP não devia utilizar-se. Ponto final.

Parece uma conspiração.

Sim, mas assim foi naquela época, e isso é o que as pessoas deveriam lembrar: Que só em meados dos anos oitenta os governos e os reguladores começaram a pensar em IP. Se você observa a ITU

[União Internacional de Telecomunicações], tudo decorre do antigo mundo das empresas de telecomunicações, que diziam que IP não era bom.

E agora estamos falando do IPv6.

Sim, mas quando começamos já utilizávamos IPv4, que ainda utilizamos: Assim, a evolução não é tão rápida. Os modelos de negócios avançaram mais rápido do que os protocolos.

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