Prêmio Trajetória 2013: um compromisso com o futuro

31/03/2014

Bevil Wooding ficou surpreso quando recebeu a notícia. Um júri acabava de distingui-lo com o Prêmio Trajetória 2013, uma honra reservada por LACNIC para aquelas pessoas que têm contribuído de forma constante ao longo do tempo com o desenvolvimento contínuo da Internet e da Sociedade da Informação na América Latina e o Caribe.

Bevil não tinha por que ficar surpreso. Em seu registro de méritos –analisado detalhadamente pelos júris Ida Holz, Bernadette Lewis, Rafael Ibarra, Carlos A. Afonso e Rodrigo de la Parra- sobravam motivos para alcançar este prêmio que promove o reconhecimento dos atores que mais ajudaram à comunidade da Internet.

Empreendedor, entusiasta e tenaz, Wooding desempenhou um papel de liderança no impulso das Tecnologias da Comunicação no Caribe, com especial ênfase no desenvolvimento de programas de capacitação e de recursos educacionais para os jovens, e a criação de infraestrutura para uma região com realidades bem diferentes.

Wooding receberá uma homenagem no evento de LACNIC 21 em maio deste ano em Cancun (México).  Aqui está uma prévia da conversa que teve com o LACNIC News.

Como você soube do prêmio? Foi pego de surpresa?

O anúncio foi totalmente inesperado. Para mim é uma honra ter sido escolhido para esse prestigioso prêmio de LACNIC.

O que esse reconhecimento para você e para a comunidade do Caribe?

O reconhecimento por parte de uma importante organização regional como LACNIC reforça minha convicção de continuar servindo à região. Ainda há muito a fazer e é muito encorajador saber que mais pessoas e instituições estão se unindo para colaborar com o desenvolvimento da Internet na região.

Os comentários positivos que tenho recebido me fazem pensar que a comunidade caribenha sente muito orgulho do fato de que o trabalho que está sendo desenvolvido para criar consciência sobre as questões relacionadas à governança da Internet e sobre gerar capacidade técnica na região está sendo muito produtivo.

Como você vê o acesso à Internet na sua região? Como pode ser reduzido o fosso digital no Caribe?

A região é muito diversificada para generalizar os desafios específicos que enfrenta. No entanto, pode-se dizer que a região não progrediu tão rapidamente ou como deveria tê-lo feito.

Mesmo que exista conectividade básica para a Internet, ainda há muito a fazer no que respeita às áreas como a infraestrutura da Internet, os níveis de penetração em cada país, as velocidades da banda larga e as taxas do acesso residencial e corporativo.

Do lado técnico, a ampliação do acesso à banda larga móvel e a proliferação dos pontos de troca de tráfego continuam a ser as principais prioridades. As duas têm a ver com uma crescente ênfase na criação de conteúdo digital local e a promoção da inovação no desenvolvimento de aplicativos e serviços baseados na Internet.

No que refere às políticas, compreender e dar resposta às questões sobre governança da Internet tais como ciber-segurança, privacidade na linha e políticas regulatórias, estão se tornando uma preocupação generalizada.

Todos esses fatos mostram a importância de aumentar o investimento na educação, divulgação e sensibilização do público. Sem dúvida, a região já percorreu um longo caminho, mas ainda temos muito a fazer.

A criação de Grupos de Operadores de Redes, a proliferação dos capítulos da Internet Society e o número crescente de fóruns especiais para discutir questões da governança da Internet são sinais muito positivas.

O cenário da Internet está evoluindo rapidamente e a região deve fazer mais do que manter-se. Considero que a região tem a criatividade e a capacidade necessárias para enfrentar os problemas locais e ter um impacto positivo no desenvolvimento da Internet a nível global.  Agora mais do que nunca são necessárias abordagens colaborativas e multissetoriais que garantam a construção de uma Internet mais adequada para nossas sociedades por parte da América Latina e o Caribe.

Você tem trabalhado muito com a comunidade de operadores de rede e outros atores do Caribe na promoção de modelos e soluções técnicas para a região. Qual foi o resultado dessa experiência?

Como membro fundador do Grupo de Operadores de Redes do Caribe, CaribNOG, tenho sido testemunha da evolução do que era um punhado de engenheiros de computação idealistas até  tornar-se uma comunidade regional dedicada de operadores de redes e interessados da comunidade técnica.

Desde sua reunião inaugural em St Maarten em 2010 até sua última reunião em Belize, CaribNOG tem realizado um fórum único onde os construtores da Internet no Caribe podem aprimorar suas habilidades e aprender de seus colegas e de outros líderes da comunidade regional e mundial.

Na região toda estão sendo implementadas redes informáticas, serviços hospedados e dispositivos conectados a uma velocidade sem precedentes. Os técnicos, empreendedores e engenheiros responsáveis dessas redes estão sob enorme pressão para manter este ritmo e se espera que dominem as habilidades necessárias para projetar, operar e manter a segurança desses sistemas cada vez mais complexos. CaribNOG tem sido um recurso muito valioso para ajudar a atender essa necessidade.

Conforme aumenta a visibilidade da organização, cresce também seu número de membros. Também tem crescido de forma constante a participação nas reuniões regionais de CaribNOG. LACNIC, ARIN, ISOC, ICANN e a CTU têm contribuído significativamente ao desenvolvimento de CaribNOG. O apoio permanente e a participação dessas organizações tem sido uma manifestação do espírito de colaboração que tem ajudado a dar forma à cultura de CaribNOG.

Engenheiros que eram considerados concorrência, hoje são colegas. Aqueles que se sentiam isolados, agora expressam a sua gratidão por fazer parte de uma comunidade regional. Nossa comunidade técnica regional está crescendo, está colaborando e está apoiando o desenvolvimento da Internet na região. Estou muito animado com as possibilidades que o futuro reserva para CaribNOG.

Estão todos convidados a acessar CaribNOG.org para internalizar sobre nossas reuniões ou para participar das nossas diferentes listas de correio.

Você é especialista no desenvolvimento de aplicativos para satisfazer as necessidades das comunidades locais. Como podem ser usados os meios sociais para favorecer o processo educacional das crianças e dos jovens?

Os meios sociais têm uma influencia profunda sobre as crianças. A omnipresença dos meios eletrônicos na vida das crianças faz com que seja importante que os pais, educadores e sociedade civil compreendam o impacto e o efeito que estes meios têm em suas vidas.

Conforme cresce o acesso à Internet, um número cada vez maior de crianças está usando os serviços das redes sociais através de uma variedade cada vez maior de dispositivos. Algumas estimativas mostram que os jovens dedicam mais tempo aos meios sociais que a qualquer outra atividade exceto dormir.  Enquanto alguns veem isso como uma preocupação, também sabemos que é uma oportunidade.

As ferramentas dos meios sociais são uma das formas mais eficazes de chegar aos jovens. É uma grande oportunidade para que a região inove no uso das redes sociais para transformar a educação, promover os valores sociais e criar novas oportunidades económicas.

No entanto, aproveitar os meios sociais requer abordar a educação de uma forma bem diferente. Também exige repensar o papel que desempenham as crianças na determinação de como são elaborados e fornecidos os produtos educacionais.

Os educadores deveriam implementar programas baseados na pesquisa que usem meios eletrônicos para melhorar os planos de estudo na sala e ensinar os alunos a utilizar os meios eletrônicos de forma construtiva. Os professores também deveriam ser capacitados no uso das novas tecnologias e em como gerenciar o uso das mídias sociais nas escolas.

Os governos também deveriam apoiar a pesquisa sobre programas educacionais que explorem usos inovadores dos meios de comunicação para ensinar os alunos. Também o setor privado e a sociedade civil devem garantir que as crianças possam dispor de uma programação educacional relevante, tanto on-line quanto através da mídia tradicional.

Obviamente, mudar as abordagens tradicionais para a educação não será uma tarefa trivial, mas as recompensas potenciais realmente fazem o investimento valer a pena.

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