Hartmut Glaser “Meu sonho é uma Internet livre e acessível para todos”

30/08/2017

Faz parte de LACNIC desde a sua gênese. Quatro anos antes do Registro de Endereços Da Internet da América Latina e o Caribe ser reconhecido oficialmente, o professor Hartmut Glaser já integrava um comitê ad hoc que buscava a criação de LACNIC.   Desde que foi oficializado, foi a pessoa encarregada dos números na tesouraria da Diretoria.

Sua experiência permite garantir que LACNIC é um referente na América Latina e o Caribe e uma comprovação de que a região está unida. “A conexão sul-sul foi muito positiva”, aponta Glaser.

Mais do que rever os 15 anos, o tesoureiro do LACNIC e secretário executivo do Comitê Gestor da Internet no Brasil prefere projetar o futuro. É por isso que sonha com alcançar pelo menos 90% de conexão em toda a América e o Caribe em 10 anos.

Há 15 anos, qual era a sua relação com o mundo das TIC?

Desde 1967 sou formado em Física pela Universidade de São Paulo e três anos depois comecei a trabalhar na Faculdade de Engenharia como professor. Meu trabalho esteve sempre relacionado com a microeletrônica. Fui pesquisador e professor durante 20 anos.

Em 1989 fui nomeado assessor do diretor da Faculdade de Engenharia, quem resultou eleito em 1996 diretor-presidente de uma fundação de amparo à pesquisa e desenvolvimento no Estado de São Paulo (FAPESP -Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo).

Este diretor me passou dois projetos. Um deles foi a Rede Acadêmica do Estado de São Paulo, com a qual conseguimos conectar mais de 120 instituições educacionais de desenvolvimento e pesquisa. Sob a rede acadêmica estava a semente de um registro de nomes de domínio, a semente do NIC.br.

Quando começou a sua relação com LACNIC e como?

Em 1998, na primeira reunião da ICANN na América Latina e o Caribe, criamos um comitê provisório, comitê ad hoc, para organizar LACNIC como organização. Nesse comitê participavam Oscar Messano, Raúl Echeberría, entre outros, e eu. Em 2002, depois de três anos de inúmeras reuniões e discussões, LACNIC foi criado oficialmente na reunião da ICANN em Xangai.

Raúl foi eleito como primeiro diretor executivo, Messano assumiu a presidência e eu, a tesouraria. Portanto, há 15 anos que eu sou o tesoureiro de LACNIC.

Eu estou muito satisfeito de ver como uma coisa que começou do nada, chegou a ser o que hoje é LACNIC.

Que papel você acha que a comunidade de LACNIC teve na administração dos recursos de numeração nesses 15 anos?

Sinto que hoje conseguimos ser uma referência na América Latina e o Caribe, um dos pontos fortes que mostra que a região da América Latina e o Caribe está unida. LACNIC gerou uma mudança, colocou-nos no mapa.

Durante estes 15 anos tanto Raúl Echeberría quanto Oscar Robles adotaram a posição de assumir uma liderança forte na região.

Eu gostaria de salientar o trabalho de apoio realizado por LACNIC na criação de AFRINIC. Um ano antes que AFRINIC fosse criado, o Comitê provisório para a criação de AFRINIC foi convidado para ficar uma semana em Montevidéu. O objetivo foi mostrar como LACNIC deu os seus primeiros passos e o que funcionou. Eu sinto isso como uma contribuição muito importante de LACNIC: a conexão sul-sul foi muito positiva.

Que aspectos identificam à comunidade de LACNIC?

LACNIC hoje é uma referência, como mencionei, conseguimos somar desde o início diferentes grupos do ecossistema da Internet, como redes acadêmicas, LACTLD, LAC-IX, LACNOG, entre outros. O modelo de A Casa da Internet foi a consequência de toda essa integração prévia.

O evento LACNIC nunca foi um evento focado somente em endereços IP, como em outras regiões, mas sempre integrou muitos outros tópicos como a segurança cibernética, IXP, ccTLD, entre outros.

A missão que conseguimos cumprir com LACNIC é manter a região da América Latina e o Caribe unida. A comunidade reconhece claramente a LACNIC como um ponto chave e referente para a Internet na região.

Eu acho que todos nós nos consideramos colaboradores, integradores, muito felizes de manter-nos unidos e espero que esse espírito permaneça assim.

Desde o início existiu um espírito de múltiplas partes interessadas que se manteve até hoje.

Como você imagina a governança da Internet em 15 anos?

A resposta é muito clara: se hoje a metade da LAC está incluída, em 15 anos incluirá todos.

Meu sonho é uma Internet livre e acessível para todos. Não sei se em 5 anos, talvez em 10 ou menos, a América Latina e o Caribe estarão toda incluída. Se não for 100, pelo menos 90% incluído, como é o caso de alguns países nórdicos.

A Internet é a ferramenta mais eficaz para educar. As crianças conseguem aprender graças à Internet. A Internet tem o poder de mudar as pessoas.

Eu gostaria de ter uma América Latina e o Caribe sem exclusão digital. Esse seria o melhor resultado do nosso trabalho.

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