Geolocalização na Internet: solução ou problema?

26/10/2016

É possível obter a localização geográfica real de um endereço IP para saber de onde um usuário está conectado a Internet? A resposta, que parece simples, apresenta múltiplas dificuldades já que ainda não foi achado um sistema 100% eficaz que permita localizar todos os endereços IP em um lugar exato do “mundo real”.

Durante seu último evento na Costa Rica, LACNIC promoveu um debate sobre a geolocalização dos endereços IP e os diferentes aspectos desta tecnologia, para que é usada, os problemas associados e as possíveis ações que deve realizar a comunidade da região em busca de soluções. Participaram da discussão Carlos Martínez (LACNIC), Owen DeLong (Akamai) e Wilson Rogerio Lopes (Itau), e como moderador, Ricardo Patara (NIC.br).

Carlos Martínez, gerente de Tecnologia de LACNIC, apresentou diferentes exemplos sobre as dificuldades que teve a região por causa de erros de geolocalização. Mencionou casos de Curacao, Colômbia e Argentina.  Inclusive relatou o caso de uma empresa que reclamou a LACNIC argumentando que “os endereços IP que tinham recebido estavam defeituosos” porque apareciam geolocalizados em um local diferente ao operado pela empresa. Nós dissemos para ela que LACNIC não tinha responsabilidade sobre a geolocalização, relatou Martínez.

No entanto, ele admitiu que a partir de LACNIC “sentimos cada vez mais que temos que ser parte da solução, e desempenhar um papel”. A este respeito, acrescentou que é essencial que a comunidade decida o papel que tem a desempenhar LACNIC na geolocalização de endereços IP. “Para isso, precisamos de uma ampla e forte discussão”, concluiu o gerente de Tecnologia de LACNIC.

Para Owen DeLong, de Akamai, o principal problema para os usuários finais da Internet é se “estão sendo geolocalizados no lugar errado porque eles têm zero visibilidade sobre qual é o provedor de geolocalização que deu a informação errada”.

DeLong estimou que a falta de padronização entre os provedores de geolocalização para informar sobre esses erros é uma das grandes dificuldades. Neste sentido, ele observou que deveria existir um clearing house centralizado operado pelas companhias de geolocalização para permitir que os usuários tenham um lugar comum para informar dos erros e possam ser corrigidos os bancos de dados. “Eu gostaria que a indústria trabalhasse em coisas como esta”, acrescentou.

Em sua apresentação, DeLong lutou por uma melhor comunicação com os usuários finais sobre como reportar erros de geolocalização. “Para tornar isso possível, deve haver um melhor mecanismo de informações centralizadas e divulgação dos erros de geolocalização para os provedores de geolocalização,” concluiu.

Ricardo Patara, gerente de recursos de numeração da Internet do NIC br, afirmou que a geolocalização está sendo muito usada na Internet para fins de marketing (campanhas, propaganda e informações de interesse) e para que os usuários recebam conteúdo específico sobre um país ou região.

Ele afirmou que existem indústrias que usam a geolocalização para controlar o acesso a seu conteúdo para localizar o país em que está o usuário da Internet, o que pode acarretar possíveis casos de censura.

Garantiu que muitas vezes os erros de geolocalização atentam contra o usuário porque oferecem serviços de vídeos em outra língua ou de outras culturas, “conteúdo que não interessa e com acesso denegado para serviços de seu interesse”.

Garantiu que os usuários não sabem a quem levantar uma queixa: “Às empresas de geolocalização? A seu provedor de conteúdo ou serviço? A seu ISP? Não sempre fica claro, além de não haver uma relação cliente/servidor entre as partes”.

Finalmente Patara advertiu que “a situação (sobre erros de geolocalização) pode ficar ainda pior no futuro pelo uso crescente de CGNAT e pelos casos mais frequentes de transferências entre regiões”.

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