Experiências bem-sucedidas de endereços IPv4

31/10/2018

LACNIC organizou um painel sobre a situação atual das transferências de recursos IPv4 na América Latina e o Caribe e as experiências em outras três regiões (ARIN, APNIC e RIPE) que permitiram a transferência de endereços IP entre os Registros Regionais da Internet (RIRs).

Alfredo Verderosa, gerente de serviços de LACNIC, disse que esta reunião procurou responder às preocupações da comunidade sobre transferências de recursos IPv4.

“Já há algum tempo encontramos com frequência perguntas da comunidade sobre como é o processo de transferências, onde obter endereços IPv4, quantas transferências foram feitas na região, etc. Em seguida, tentamos disponibilizar à comunidade informações relevantes sobre o que está acontecendo nos territórios de LACNIC e em outras regiões, e também ouvir recomendações que sirvam de apoio àqueles que estão pensando em se envolver nesses processos “, disse Verderosa na abertura do painel realizado durante LACNIC 30 em Rosário (Argentina).

Dessa análise participaram os responsáveis pelos departamentos de registros dos três RIRs que fazem transferências, bem como representantes de duas organizações (IPbroker e Addrex) que trabalham ajudando nas intermediações há anos.

Os expositores abordaram aspectos relevantes que sirvam de suporte para aqueles que pretendam fazer transferências de blocos IPv4.

Desde que a comunidade habilitou essa possibilidade -em março de 2016-, foram feitas 20 transferências de blocos IPv4 na região de LACNIC, informou Sergio Rojas, especialista em serviços de registro de LACNIC. Os blocos transferidos correspondem a uns 192.512 endereços IPv4.

Hoje LACNIC começou a oferecer uma nova ferramenta em seu serviço Mi LACNIC, no qual são listados possíveis provedores de endereços IPv4, os interessados em adquiri-los e as organizações que realizam intermediações.

Disponível para todos. John Sweeting, responsável pelo registro de ARIN, observou que em sua região houve um aumento no número de transferências de operações de menor volume de endereços pela entrada no mercado de novos ISPs. “Vemos mais transferências, mas de blocos menores porque há novos ISPs menores entrando no mercado”, afirmou o diretor do registro de ARIN.

Sweeting afirmou que a possibilidade de realizar transferências entre os RIRs tem sido “win-win” para o ARIN porque, embora o espaço total gerenciado por esse registro tenha diminuído em 14 milhões de endereços IPv4 desde 2016 devido às transferências inter-RIR, o espaço emitido por ARIN aumentou em mais de 30 milhões de endereços, principalmente devido à conversão do espaço legado transferido na região.

Hoje ARIN tem muito espaço legado que está disponível para clientes de ARIN, APNIC y RIPE NCC a través de las políticas de transferências inter-RIR.

Ele estimou que há poucas transferências na região de LACNIC porque não há recursos ociosos (o espaço legado em LACNIC é de cerca de 5 milhões de endereços, pouco mais de 1/10), e no ARIN existem recursos legados (40/8 do espaço legado em ARIN é quatro vezes todo o espaço designado à região de LACNIC). O espaço legado é 130 vezes maior em ARIN do que na região de LACNIC.

No ARIN, as transferências são vistas como uma situação em que todos ganham, porque há recursos que não estão sendo usados e retornam ao sistema, e, além disso, esse espaço volta de ser legado a declarado, ganhando um novo espaço pelo qual o usuário tem que pagar.

Enquanto isso, Andrea Cima, do RIPE, compartilhou recomendações para transferências bem-sucedidas e destacou a importância de manter os contatos atualizados para evitar fraudes relacionadas a transferências. A este respeito, RIPE afirmou que oferece serviços de listado de transferências para facilitar a oferta e a procura, aumentando a transparência, e publica uma lista de intermediários reconhecidos que assinaram um acordo para seguir as políticas e procedimentos estabelecidos pelo RIPE para as transferências. No entanto, esclareceu que o RIPE não intervém em nenhum acordo ou transação financeira nas transferências.

George Kuo, responsável pelo registro de APNIC, indicou que a tendência de transferências se mantém estável desde 2014, com cerca de 30 a 40 transferências processadas mensalmente. Afirmou que a maioria das transferências de mercado inter-RIRs provem da região de ARIN.

Ele disse que até julho deste ano cerca de 17.8 milhões de endereços IPv4 foram transferidos para APNIC, enquanto apenas 384 mil endereços foram transferidos para fora de sua região.

Pelo mesmo caminho. Nacho Mateo, da IPbroker, assegurou que o papel do broker nas transferências de endereçamento IPv4 é fornecer ao receptor e ao provedor as informações necessárias e os mecanismos disponíveis para poder fazer a transferência com todas as garantias.

Mesmo não querendo se intrometer em assuntos internos da comunidade de LACNIC, Mateo disse que no curto e médio prazo as necessidades de endereçamento IPv4 dos ISPs de LACNIC serão as mesmas dos outros RIRs. E exemplificou que em um ano são feitas as mesmas transferências em LACNIC como em outros RIRs em um dia. “Temos que procurar soluções”, acrescentou.

Na região de LACNIC, segundo Mateo, é necessária uma política de transferências inter-RIR para permitir transferências bidirecionais de IPs entre os RIRs.

Enquanto a política de transferências inter-RIRs não seja implementada, o preço do endereçamento IPv4 nao parará de aumentar e beneficiará os oferentes exclusivamente, acrescentou o broker.

Ao encerrar o painel, o gerente de serviços de LACNIC assegurou que o RIR regional continuará trabalhando para garantir que a comunidade da América Latina e o Caribe tenha as informações necessárias sobre este tópico. Finalmente expressou que todas as pessoas ou organizações que tiverem dúvidas sobre as transferências de blocos IP ou quiserem propor uma política sobre o assunto, podem escrever para transferencias@lacnic.net ou politicas@lacnic.net

Confira o painel completo aqui.

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