Internet, abertura e futuro da Sociedade da Informação na América Latina e o Caribe

01/02/2013

Fernando Perini[1]

Nos últimos dez anos, a Internet tem virado assunto central para o desenvolvimento da América Latina e o Caribe. A Internet e outras tecnologias de rede têm demonstrado seu potencial para aumentar a produtividade e a competitividade da economia, criar novas formas de oferecer serviços de educação e saúde, e como forças impulsoras para a modernização da prestação de serviços públicos. Embora a região ainda enfrenta muitos desafios, o que inicialmente era um uso desigual da Internet na educação, governo, saúde e produção, hoje tem penetrado cada vez mais nas políticas públicas nacionais e nos diálogos regionais em andamento. Como evidenciado pelo aumento do investimento em infraestrutura de banda larga na região, existe um consenso crescente de que o desenvolvimento humano e o crescimento econômico dependem em grande parte do acesso adequado e do uso eficiente das novas tecnologias de informação e comunicação.

Por sua vez, a agenda regional também está chegando a um ponto de inflexão. Não há dúvida de que a Internet continuará a catalisar mudanças significativas na América Latina e o Caribe. No entanto, como a tecnologia digital afeta novas dimensões da vida econômica, social e política dos países da região, o debate sobre o potencial da Internet e o desenvolvimento torna-se também mais variado (e se dispersa). Quando pensamos no futuro da Sociedade da Informação na região, ainda ficam muitas perguntas sem resposta sobre a Internet e sua contribuição para o desenvolvimento da região.

A Internet vai continuar sendo aberta durante os próximos dez anos? O monitoramento on-line vai desafiar cada vez mais a privacidade individual? Os dados abertos, as redes sociais e as novas formas de participação vão melhorar a democracia na região? Vamos ser capazes de aproveitar as possibilidades de colaboração que oferece a Internet para criar economias socialmente mais significativas e sustentáveis? A educação digital, a ciência e a criatividade vão florescer na América Latina e o Caribe refletindo a diversidade e a cultura dos seus povos? Estas são algumas das questões emergentes que serão chave para determinar se a Internet vai contribuir efetivamente na criação de uma sociedade mais aberta e desenvolvida em nosso canto do mundo.

Apesar das muitas incertezas, uma coisa é clara: sabemos que as decisões que tomemos hoje vão determinar que tão “abertas” ou “fechadas” serão nossas sociedades no futuro. Os debates que estão surgindo hoje em toda a região mostram que a Internet trouxe mudanças que são cada vez mais complexas, profundas e generalizadas. Muitos países da região estão reformando sua legislação e suas instituições para que se adaptem à era digital. Assuntos como os direitos do autor, neutralidade da rede, proteção de dados, acesso à informação ou  liberdade de expressão ocupam um lugar cada vez mais importante nas agendas políticas de muitos países da região. No entanto, temos visto que as mudanças na região não têm sido necessariamente fáceis nem possitivas. Há uma demanda crescente para compreender melhor as consequências dessas mudanças. Ao mesmo tempo, a existência de novas conexões entre uma ampla variedade de atores é fundamental para possibilitar novos modelos de colaboração para reforçar os direitos dos cidadãos e promover um desenvolvimento mais inclusivo e aberto.

[1] Fernando Perini é Oficial Sénior de Programas do International Development Research Center. O debate destacado vai fazer parte de um diálogo regional sobre a agenda de futuras pesquisas para a sociedade da informação na América Latina e o Caribe. Para mais informações:  http://www.info25.org .

FRIDA 2013: mais fundos para projetos inclusivos

Neste ano, o Fundo Regional para a Inovação Digital na América Latina e o Caribe (FRIDA) vai realizar três grandes chamadas para apoiar iniciativas e projetos na região.

A primeira, chamada “Prêmios+” vai reconhecer as melhores cinco propostas na área das Tecnologias da Informação (TIC), com ênfase na inclusão social. Além disso, neste ano serão destinados pequenos fundos de escalonamento para organizações que apresentem propostas específicas. Essa chamada vai acontecer no final do mês de fevereiro.
A segunda chamada do ano do FRIDA vai outorgar “subvenções”, sob a modalidade de “small grants”, destinadas a projetos de pesquisa para a região da América Latina e o Caribe. Essas subvenções estão direcionadas para complementar o financiamento de outras fontes e têm caráter não reembolsáveis. Essa convocação vai acontecer em abril.

A terceira chamada denominada “Escalonamento de projetos”, visa apoiar as iniciativas bem-sucedidas que se apresentaram nas edições dos Prêmios Frida 2010-2012 e os projetos apresentados às subvenções em todas suas edições. Esta terceira convocação está prevista para meados do ano.

FRIDA faz parte de Seed Alliance, uma iniciativa conjunta levada adiante com os programas irmãos de FIRE (AFRINIC) e ISIF (APNIC), e recebe apoio financeiro do International Development Research Centre (IDRC do Canadá), Internet Society, Agência Sueca de Cooperação Internacional (SIDA) e das contribuições dos três Registros Regionais da Internet aos que pertencem os programas.

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